
A Ecovia do Rabaçal, no concelho de Valpaços, criou um novo conceito de turismo de natureza no interior profundo do Norte de Portugal. Passo a passo.
Texto: Paulo Rolão
Fotografias: Pedro Rego
Longe de tudo e de todos, a pequena povoação do Calvo foi perecendo aos poucos. Muitos saíram, nenhum voltou. O último resistente, o único habitante da aldeia, fechou os olhos definitivamente na década de 1960.
Percebe-se: aqui já houve vida, mas agora não há – pelo menos na forma humana. O lagar, de grandes dimensões, é um testemunho vivo de que aqui já se trabalhou. Em tempos, produziu-se azeite. Nasceu-se, viveu-se. Morreu-se. Lá mais ao fundo, onde o riacho corre com intensidade, estão os escombros das velhas casas. Hoje, a aldeia do Calvo é um lugar fantasma, votado ao abandono. Está lá, mas só guarda memórias, o que o torna um sítio fascinante para os recém-chegados, de mochila às costas, desejosos de compreender in loco uma lição sobre a desertificação do interior e sobre a dureza da domesticação da paisagem na serra transmontana.
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