25 de janeiro de 2015

Tribunal de Vila Real começa a julgar em Fevereiro acusados por burlar e roubar idosos

O Tribunal de Vila Real começa a julgar a 02 de fevereiro nove suspeitos de pertencerem a uma rede que burlou e roubou dezenas de idosos em todo o país, recorrendo à violência e a armas de fogo.

O processo vai ser julgado em Vila Real porque foi neste distrito, no concelho de Valpaços, que ocorreu o crime mais grave, nomeadamente o de tentativa de homicídio.

Fonte judicial disse à agência Lusa que o início do julgamento está marcado para 02 de fevereiro.

Oito dos arguidos possuem relações familiares e chegam a tribunal acusados pelo Ministério Público (MP) de 130 crimes, entre os quais associação criminosa, branqueamento, roubo, burla, furto, ameaça e detenção de arma proibida.

O nono arguido é um ourives suspeito do crime de recetação.

A rede seria liderada por Manuel Brites Pinto, o alegado "Patriarca" da organização que está acusado de 22 crimes e está a aguardar julgamento em prisão preventiva.

Segundo o MP, pelo menos desde 2008, os elementos deste grupo roubaram quantias monetárias e peças em ouro a idosos e pessoas indefesas em zonas rurais e isoladas, recorrendo a elevado nível de violência e a armas de fogo para intimidar as vítimas.

A rede atuava em quatro subgrupos e antes de abordarem as vítimas era feita "uma prospeção", através da qual sinalizavam pessoas de idade avançada e com problemas de saúde, que residissem sozinhos em locais isolados ou com pouca vizinhança.

O grupo vivia na margem sul do rio Tejo, mas exercia a sua atividade do Alentejo ao Norte do país, região onde intensificou as burlas e roubos, segundo o MP.

Os arguidos passaram pelos distritos de Aveiro, Braga, Vila Real, Porto, Viseu, Guarda, Coimbra, Leiria, Santarém, Portalegre e Évora.

O MP identificou quase meia centena de casos até junho de 2013, quando a rede foi travada pela Polícia Judiciária (PJ) de Aveiro.

Os suspeitos, com idades entre os 28 e 59 anos, apresentavam-se às vítimas como médicos, técnicos, funcionários e "doutores" da Segurança Social e diziam que andavam a trocar notas que iriam sair de circulação ou a verificarem as marcas das peças em ouro que se encontrassem na posse dos particulares para apurarem a sua autenticidade.

Quando as vítimas se recusavam a entregar os seus bens ou gritavam por socorro, os arguidos ameaçavam-nas ou agrediam-nas fisicamente.

O caso mais grave ocorreu a 14 de janeiro de 2013, em Valpaços, quando Manuel Brites Pinto e Carlos Ramos Pinto terão abordado uma idosa que residia sozinha, identificando-se como funcionários da Segurança Social, dizendo-lhe que as notas de euro iam sair de circulação.

Os dois homens, diz o MP, foram surpreendidos pela aproximação, de carro, do filho da vítima quando se preparavam para se apropriarem de 60 euros.

Segundo a acusação, o filho da idosa perseguiu os arguidos de carro, tendo estes disparado vários tiros contra si (sem ter sido atingido) e a sua viatura. Sentindo-se ameaçado, cessou a perseguição e deixou que os suspeitos abandonassem aquele local.

De acordo com o MP, com a intenção de ocultar a proveniência das quantias roubadas, os arguidos distribuíam o dinheiro por diferentes contas bancárias, na sua titularidade e de familiares, e adquiriram imóveis, vários artefactos em ouro e veículos automóveis.

Como os suspeitos não apresentavam quaisquer declarações de rendimentos, o MP concluiu que estes bens, totalizando cerca de 3,5 milhões de euros, resultaram da atividade criminosa e, por isso, devem ser declarados perdidos a favor do Estado.

PLI (JYDN) // JGJ

Lusa/Fim

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